A tirania da felicidade
- Claudia Jahnke

- 20 de mar. de 2023
- 2 min de leitura
Hoje é o dia internacional da felicidade e eu sinto que estão exagerando neste quesito de ser feliz o tempo todo. Temos tantas bolhas de pressão no nosso dia a dia e uma delas é esta: temos que ser felizes, aconteça o que acontecer. O conceito de felicidade constante está por trás de posts perfeitos nas redes sociais, de viagens perfeitas, amigos perfeitos, auto imagens perfeitas.
Com esta aberração surgem doenças emocionais de toda ordem e por isto dei o título de tirania da felicidade porque neste contexto de um mundo irreal a felicidade se torna um peso.
O que precisamos medir é o quanto de felicidade realmente vivenciamos nas nossas vidas. Saber lidar quando a tristeza aparecer, quando a raiva aparecer, e tantos outros sentimentos que, ao lado da felicidade, nos tornam humanos. Uns de nós num processo de evolução mais avançado, outros nem tanto, cada um caminhando com a sua mentalidade e o seu entendimento de vida. Cabe a nós aceitarmos as diferenças nestes padrões de vivência reencarnatória, e também, aceitarmos que as nossas vidas, enquanto ainda formos parte de um planeta como o nosso, terá oscilações entre felicidade e tristeza, dentre tantos outros sentimentos.
E, principalmente, aqueles que precisam educar um outro ser humano, através da maternidade ou paternidade, que possam exercitar com as crianças e adolescentes a existência deste carrossel de emoções. Ensinar que seremos felizes em alguns momentos, em outros não. Mas que tenham ciência de que nada é eterno e que estes momentos de tristeza terão fim, assim como os de felicidade. E tá tudo certo!
Respira! Relaxa! Te liberta de mais esta pressão do mundo: ser feliz a todo custo. Comemoremos sim o Dia Internacional da Felicidade como uma certeza de que, se neste momento, não nos sentimos felizes, logo ali na frente algo de bom vai acontecer e nos devolver este sentimento. Enquanto a felicidade não chega, a gente acolhe o sentimento de tristeza, ora para termos força, pedimos ajuda aos amigos, meditamos e buscamos de alguma forma, fazer algo que nos ajude a passar por este momento.
Alguns buscam os templos das diversas religiões e, se isto te faz bem, ótimo, vai lá! Outros saem para caminhar, outros vão ao cinema, outros encontram os amigos para desabafar. E aqueles que podem buscam a ajuda de profissionais que os ajudem a entender que a vida sempre irá apresentar fases, momentos diferentes, incompatíveis com esta felicidade forçada e tirana.
Nem oito, nem oitenta, caminho do meio, compreensão, entendimento, estas são palavras-chave para nossa evolução. E, que logo ali na frente, possamos evoluir o suficiente para que nossas vidas sejam, na maior parte do tempo, felizes.




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