O Bem e o Mal
- Claudia Jahnke
- 22 de fev. de 2018
- 3 min de leitura

O Espírito Joanna de Ângelis, numa psicografia de Divaldo Franco, no livro "O Ser Consciente", trata do assunto Bem e Mal como uma questão de alta complexidade para nós, espíritos encarnados. É um assunto que perturba e confunde o discernimento humano. Joana faz um passeio histórico na tratativa do tema e percorre abordagens diversas. Vou transcrever algumas ideias dela sobre o tema.
Uma das abordagens é a filosófica que diz que o Bem é tudo quanto fomenta a beleza, o ético, a vida, consoante a moral. Já o Mal vem a ser aquilo que se opõe ao edificante, ao harmônico, ao Bem. Da mesma forma, no enfoque sociológico ela retrata o Bem como tudo que contribui para o progresso, e todas as realizações que promovem o ser, o grupo social e o ambiente. Expressam-lhe a grandeza, a ação concreta que resulta da capacidade seletiva de valores éticos para a harmonia e a felicidade. E ela acrescenta que, como efeito, o Mal decorre de todo e qualquer fenômeno que se opõe ou conspira contra esse contributo superior.
Após discorrer de ideias religiosas, através dos tempos, Joana entra no assunto que mais comunica em suas mensagens que é o comportamento humano. Aí a linha divisória entre o Bem e o Mal é tão fluida e oscilante que engana a todos, no sentido que muitas vezes o bem de hoje torna-se o mal de amanhã e vice-versa. Ela pondera ainda sobre códigos e leis, que de acordo com as conveniências de grupos e castas, de partidos e raças, de religiões e credos, por questões imediatistas, tentam tornar legais comportamentos que não são morais. Muito parecido com a maior lição da humanidade atual, lidando com diversos conflitos éticos.
Joana então aponta algumas armas que temos para saber distinguir o Bem do Mal, começando pelo Decálogo mosaico que sintetiza os códigos moral e legal, portanto, o que é bem e o que é mal. E mais tarde a afirmação de Jesus, em grandiosa proposta como ela fala, que toda a complexidade desse fenômeno dual pode ser desmascarada com a reflexão: Não fazer a outrem o que não deseja que ele lhe faça.
Finaliza a incursão no tema acrescentando que tudo quanto contribui para a paz íntima da criatura humana, seu desenvolvimento intelecto-moral, é-lhe o Bem que deve cultivar e desenvolver, irradiando-o como bênção que provém de Deus.
E, o que nos soa acalentador, é que esse Mal que experimentamos, transitório, temporal, que propele o homem a ações irracionais, aos sofrimentos, é remanescente do processo de evolução do espírito, que será ultrapassado à medida que amadureça psicologicamente, e se lhe desenvolvam os padrões de sensibilidade e consciência para adquirir a integração no Cosmo, liberado das injunções dolorosas, inferiores.
Este tema também está presente no Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulos V, XII e XVII. No Cap. V as Instruções dos Espíritos nos fazem alguns questionamentos, tais como: Será a Terra um lugar de gozo, um paraíso de delícias? Estes mesmos espíritos chamam a Terra de um vale de dores. E ainda nos questionam: Até quando os vossos olhares se deterão nos horizontes que a morte limita? Afirmando: Como desencarnados, quando pairáveis no Espaço, escolhestes as vossas provas, julgando-vos bastante fortes para as suportar. Por que agora murmurar? Lembrai-vos de que aquele que crê é forte pelo remédio da fé e que aquele que duvida um instante da sua eficácia é imediatamente punido, porque logo sente as punitivas angústias da aflição.
No Capítulo XII os espíritos apresentam uma Lei física para trabalhar a ideia do Bem e do Mal: a da assimilação e da repulsão dos fluidos. Ou seja, o pensamento malévolo determina uma corrente fluídica que impressiona penosamente. Já o pensamento benévolo nos envolve num agradável eflúvio. Daí a diferença das sensações entre o Bem e o Mal. A concepção de que o primeiro aprisiona e por isso o desejo de repulsão e o outro liberta, o que todos querem assimilar.
E fechando, no Cap. XVII falam-nos sobre o homem de bem como sendo aquele que cumpre a lei de justiça (de Deus), de amor (incondicional) e de caridade (na sua maior pureza). Sabemos que estamos vivendo no Bem quando interrogamos a consciência sobre os nossos atos e nos perguntamos se fizemos todo o Bem que poderíamos fazer, se não praticamos o Mal, se ninguém tem qualquer queixa sobre nós, enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem. O homem que vive no Bem, estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las. Todos os esforços emprega para poder dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na véspera.
Temos um caminho e tanto pela frente, como espíritos em evolução que somos, mas a percepção de nossas inferioridades nos permite, aos poucos, a libertação e a prática majoritária do Bem.



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