Sem Medo de Amar
- Claudia Jahnke
- 16 de jan. de 2018
- 4 min de leitura

O Capítulo XI do Evangelho Segundo o Espiritismo, nas Instruções dos Espíritos, fala-se sobre a Lei de Amor. O Amor, bem, o Amor resume a doutrina de Jesus inteira e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito.
Qual o progresso feito por cada um de nós? O que nos falta para exercitarmos a máxima de Jesus: o Amor?
Escolhi este tema porque foi o título de um livro que li em dezembro de 2014. A maioria de nós, seres encarnados, tem dificuldade de exercitar o amor. À medida que crescemos começamos a adotar gestos que escondem o amor, ora porque a vida nos ensinou que ele pode machucar, ora por vergonha de demostrar nossos sentimentos. Entre outras razões.
Um dos inimigos do Amor é o Medo. Medo da perda, principalmente. Mas vamos desenvolver alguns destes pensamentos:
O Amor pode machucar;
A Vergonha de demonstrar sentimentos;
Medo da perda;
Lei de Amor.
O Amor pode machucar.
Uma das lições mais árduas que temos aqui no Planeta Escola – Terra - é a decepção. E este sentimento sempre parte daqueles que nos rodeiam e a quem mais temos afeição. Quantos de nós dedicamos tempo, carinho, afeição por pessoas que, além de não conseguirem retribuir, ainda nos causam dor. Mas será que Deus em sua imensa sabedoria e o Ser que é AMOR, permitiria que sofrêssemos? Por que então em todas as histórias de vida existe a decepção? Qual será a lição a ser aprendida? Lembrem, estamos em uma escola.
Temos um defeito de fábrica, cada um de nós, sempre quando amamos, nos dedicamos a alguém a quem temos afeição, esperamos o mesmo sentimento em troca. Primeiro: será que aquela pessoa, que é o alvo do nosso amor, está preparada para receber nossa dedicação? Ela quer? Parece ilógico pensar que alguém possa não querer amor. Mas e a liberdade do outro?
Existe um velho ditado que fala: quando um não quer, dois não brigam... Acontece que isto vale para tudo. As pessoas envolvidas devem estar em sintonia, devem querer pousar em nosso jardim, não existe a possibilidade de obrigarmos alguém a ficar ao nosso lado para ser amado. E quando falamos em sintonia estamos falando em evolução espiritual. Não podemos nunca imaginar o que o outro pensa e sente porque não temos as mesmas vivências. Mas, antes de tudo, devemos nos alegrar por viver ao lado de pessoas a quem temos tamanha afeição, momentos de sintonia, momentos de reciprocidade, onde as pessoas envolvidas poderiam ter optado por diversas atividades, mas preferiram estar conosco, envolvidas pelo Amor.
Isto é respeitar os limites de cada ser, entender que a afeição não está relacionada ao tempo que passamos juntos, mas à intensidade dos momentos verdadeiros, que nos enchem de paz e nos trazem ainda mais AMOR.
Se assim pensássemos a decepção seria um sentimento que passaria longe de nós, tornando-nos seres gratos por momentos de AMOR e não seres dependentes de atenção contínua, dependentes de outros seres, para se sentirem completos.
O homem nas diferentes etapas de evolução:
Origem do espírito = homem só tem instintos;
Com o passar do tempo, quando mais avançado = passa a ter sensações;
Quando instruído e evoluído = tem sentimentos.
Como saber em qual destas fases está cada ser que nos circunda? Não sabemos e, muito menos, temos competência para julgar. O que temos que manter em mente é que precisamos nos desenvolver em busca da etapa onde teremos apenas sentimentos puros e que não exigem nada em troca. Aí então poderemos viver uma vida onde não mais experimentaremos a decepção. Ficará mais fácil não temer o AMOR.
A vergonha de demonstrar sentimentos.
Já notaram que as crianças têm intuitivamente gestos de amor? Gostam de colo, que abracemos, que demostremos AMOR. Com o tempo muitas famílias ficam sem tempo para estes momentos e terceirizam o AMOR para cuidadores, preenchem o tempo da criança com uma agenda de compromissos que coincidam com as suas agendas, assim não irão interromper sua vida agitada, cheia de compromissos.
A questão mais grave é que, na maioria das vezes, não se consegue mais resgatar estas trocas de afeto, a criança tende a se afastar, perde o costume, se retrai, deixa de praticar o AMOR. Depois vem a fase em que realmente não querem os pais por perto e se fecham nesta questão de demostrar sentimentos. E existem os casos de famílias onde demostrar afeto é sinônimo de perda de tempo, de bobagem, e a criança cresce tendo vergonha de demostrar AMOR.
Se a criança nunca teve este tipo de abertura em casa, é difícil que venha a mudar, que passe a demonstrar afeição por aqueles que ama. São filhos de pais endurecidos, práticos demais, exigentes demais com tarefas onde não sobra o tempo do carinho. E isto é contagioso, passa de geração em geração.
Temos que incentivar as crianças a exercitarem o AMOR, é lindo ver uma troca de carinho, a maneira como as crianças dizem: EU TE AMO.
Vocês têm notado que as novas gerações estão ensinando muito a este respeito? Quantas crianças que nascem em lares endurecidos e derretem os mais gélidos corações? Esta é uma maneira de notarmos a evolução espiritual de nosso planeta.
Que possamos, aos poucos, perder a vergonha de demostrar sentimentos, que exercitemos o AMOR diariamente.
Medo da perda.
Este sentimento de medo da perda paralisa os seres. É comum vivenciarmos através das mães, que tendem a superproteger seus filhos, numa constante tentativa de antecipar suas ações para que nada aconteça à eles. Na verdade o medo da perda começa já no útero da mãe.
Este amor que sufoca, que não dá espaço para que aquele ser tenha suas próprias experiências, que tome suas próprias decisões, afasta, com o tempo, aqueles a quem tanto temos afeição. É preciso exercitar a fé no outro, acreditar que este ser que nos foi confiado tem sua própria evolução e irá vivenciar suas provas, independentemente do desejo de “poupá-lo” que tem os pais.
Este AMOR que sufoca, é pura insegurança, não é AMOR. E o pior, gera revolta entre os jovens.
A família, tenham certeza, é responsável pelo exercício de amor, é responsável em desenvolver os seres à ela confiados, ensinando-os a demonstrar AMOR, a não termos medo de amar.
Lei do Amor.
Amar é fazer aos outros o que queira que estes lhe façam – a Lei máxima.
Algumas virtudes, filhas do Amor:
Caridade, humildade, paciência, devotamento, abnegação, resignação, sacrifício.
Sem medo de amar, sem medo de praticar gestos de carinho.
Amar sem esperar nada em troca.
Amar é considerar como sua TODA a família humana.



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